numa época onde tudo precisa ser palatável, explicado, polido e puro, permaneço do lado dos que desejam, se contradizem, sentem muito e escancaram nossa hipocrisia.
Estava pensando sobre isso hoje. Percebo que vivemos em um meio, especialmente no campo das artes e da literatura, que nos cobra perfeição e a obrigação de saber tudo. Reconheço as problemáticas sociais e o lugar que ocupo como mulher branca de classe média, assim como as desigualdades de classe, raça e gênero que atravessam nossa sociedade.
Não se trata de deixar de questionar erros (ou crimes). Para mim, é evidente que eles precisam ser discutidos e responsabilizados. O que tem me assustado é a facilidade com que o apontamento se transforma em julgamento e linchamento virtual, até mesmo quando alguém apenas admite que não sabe algo ou que não conhece determinado(a) artista ou autor(a), ainda que seja uma referência nacional ou internacional em questões sociais.
Admitir o próprio desconhecimento deveria ser o começo de um aprendizado, não motivo para humilhação. Acho que somos capazes de encarar contradições sem precisar transformar o desconhecimento ou discordância de opiniões em uma sentença moral definitiva.
Laura, que contribuição maravilhosa seu comentário trouxe. “Admitir o próprio desconhecimento deveria ser o começo de um aprendizado, não motivo para humilhação.” — S I M!!!!
A arte vem me salvando inclusive, da busca de ser polida e sem defeitos. Mulheres são ensinadas de forma tão profunda a serem "o esperado", que vem exigindo anos da minha vida aprender a decepcionar.
tenho visto cada vez minhas Substackers preferidas falando sobre isso (você, Isa Sinay, Fabiane Guimarães). Me dá uma esperança de que as coisas fiquem menos preto no branco, menos certinhas, com mais espaço pra gente pensar de verdade e não engolir apenas.
Sempre fui fã de Nelson Rodrigues. Da escrita, da arte dele. Das crônicas e dos contos. Das peças de teatro. Inclusive, meu trabalho de conclusão do mestrado foi sobre ele. Fã do personagem. Não conheci a pessoa... e, na verdade, nem me interessa muito, apesar de ter precisado adentrar um pouco o seu mundo por conta do trabalho.
E concordo contigo: muito desse pudor atual tem a ver com a exposição constante de ambos – autor e pessoa –, com a maneira como o público em geral tende a misturar os papéis e com o modo como as redes sociais encurtaram o caminho até as críticas diretas que, na maior parte das vezes, acabam entrando no campo das ofensas pessoais.
E eu, que nada tenho a ver com Nelson, já me vi em situações em que fui atacado simplesmente por gostar do estilo dele, por me sentir impelido pela maneira como ele relata e conta histórias. Tampouco quero emburrecer. Quero ler autores assim e continuar me sentindo livre o suficiente para deixar sair os personagens escritores que vivem dentro de mim.
Estava pensando sobre isso hoje. Percebo que vivemos em um meio, especialmente no campo das artes e da literatura, que nos cobra perfeição e a obrigação de saber tudo. Reconheço as problemáticas sociais e o lugar que ocupo como mulher branca de classe média, assim como as desigualdades de classe, raça e gênero que atravessam nossa sociedade.
Não se trata de deixar de questionar erros (ou crimes). Para mim, é evidente que eles precisam ser discutidos e responsabilizados. O que tem me assustado é a facilidade com que o apontamento se transforma em julgamento e linchamento virtual, até mesmo quando alguém apenas admite que não sabe algo ou que não conhece determinado(a) artista ou autor(a), ainda que seja uma referência nacional ou internacional em questões sociais.
Admitir o próprio desconhecimento deveria ser o começo de um aprendizado, não motivo para humilhação. Acho que somos capazes de encarar contradições sem precisar transformar o desconhecimento ou discordância de opiniões em uma sentença moral definitiva.
Laura, que contribuição maravilhosa seu comentário trouxe. “Admitir o próprio desconhecimento deveria ser o começo de um aprendizado, não motivo para humilhação.” — S I M!!!!
A arte vem me salvando inclusive, da busca de ser polida e sem defeitos. Mulheres são ensinadas de forma tão profunda a serem "o esperado", que vem exigindo anos da minha vida aprender a decepcionar.
Que a arte siga nos ensinando sentir! ❤︎
ainda bem que, apesar de, seguimos, né? estamos juntas!
Muito interessante!
É isso!!!!
tenho visto cada vez minhas Substackers preferidas falando sobre isso (você, Isa Sinay, Fabiane Guimarães). Me dá uma esperança de que as coisas fiquem menos preto no branco, menos certinhas, com mais espaço pra gente pensar de verdade e não engolir apenas.
ai, amei estar nessa lista! muito grata por estar aqui, Beatriz.
Adorei a reflexão sobre a importância de sentir. Não importa o q. Se sentimos, se nos fez pensar, discutir, valeu muito a pena.
realmente acredito que estamos aqui pra isso. grata pelo comentário, Marina!
Sempre fui fã de Nelson Rodrigues. Da escrita, da arte dele. Das crônicas e dos contos. Das peças de teatro. Inclusive, meu trabalho de conclusão do mestrado foi sobre ele. Fã do personagem. Não conheci a pessoa... e, na verdade, nem me interessa muito, apesar de ter precisado adentrar um pouco o seu mundo por conta do trabalho.
E concordo contigo: muito desse pudor atual tem a ver com a exposição constante de ambos – autor e pessoa –, com a maneira como o público em geral tende a misturar os papéis e com o modo como as redes sociais encurtaram o caminho até as críticas diretas que, na maior parte das vezes, acabam entrando no campo das ofensas pessoais.
E eu, que nada tenho a ver com Nelson, já me vi em situações em que fui atacado simplesmente por gostar do estilo dele, por me sentir impelido pela maneira como ele relata e conta histórias. Tampouco quero emburrecer. Quero ler autores assim e continuar me sentindo livre o suficiente para deixar sair os personagens escritores que vivem dentro de mim.
A gente precisa de quem tem coragem de escancarar nossas sombras, né? É imprescindível que nos vejamos do avesso! Grata por contribuir, Gustavo!