viver não é estar viva
um shot de energia para dias invernais
faz cindo dias que o frio aumentou de intensidade e moletom, meia, botas de pelinho, roupão, cachecol e rinite voltaram a me adornar. coincidentemente, o clima lá de fora esfriou na mesma época que meu corpo entrou naquela fase que chamamos de tensão pré-mestrual.
isso significa que passei a semana me sentindo esteticamente desorganizada (termo que aprendi com Ananda Sueyoshi) e com a sensação de ser um grande fracasso enquanto passava meu tempo livre assistindo Gilmore Girls para obter um mínimo de conforto.
isso também significa que troquei o iogurte natural zero açúcar por bolo mesclado de chocolate e baunilha pro café da manhã. um total de zero arrependimento.
acho dificílimo explicar como vou de me achar uma mulher belíssima, talentosa e competente para a pior pessoa do mundo em poucos dias. e mais difícil ainda explicar que isso acontece desde os meus 12 anos e mesmo assim, eu ainda sou pega de surpresa.


ao mesmo tempo que não é fácil sentir essa instabilidade todos os meses, confesso que amo esse movimento de contração e expansão que somos praticamente obrigadas a vivenciar. porque sempre que me volto pra dentro, alguma nova coisinha emerge e é justamente a peça que eu estava buscando para entender os novos questionamentos.
eu acho bastante saudável a gente se questionar sobre nossas escolhas e postura. se não for de um jeito paralisante, esses momentos tendem a ser elucidantes porque é como se víssemos de fora o que estamos fazendo, pensando, criando e pudéssemos parar e pensar se é realmente por ali que desejamos seguir.
claro que pra esse ser um movimento saudável, precisamos ter criado uma relação de cumplicidade com nós mesmas — senão tudo não passa de uma grande tortura.
nesses dias invernais, dei ao meu corpo o que ele me pedia: descanso, calor e conforto. repetindo para mim mesma uma frase que um dia escrevi: “ninguém é eterno inverno”.
em troca, ele me deu um bom humor inesperado e disposição para limpar a casa, atender clientes e fazer almoço para não sucumbir ao menu preferido da minha tpm: açúcar e massa.
enquanto me sentia um saco de batatas, resolvi dar um tempo de Lorelai Gilmore e assistir o filme que será o próximo do Clube do Filme na Comunidade Desejante: Meu Nome É Agneta.
eu não quero te contar nada sobre ele porque eu não sabia nada e foi tão delicioso me surpreender! o que posso dizer é que chorei muito, mas um choro gostoso de quem sente de dentro pra fora que a vida é muito grandiosa, bonita e valiosa. muito mais do que a gente se dá a chance de perceber. as pessoas são muito preciosas… nós somos muito preciosas.
chorei também porque recebi muitas mensagens de alunas e seguidoras dizendo que esse filme as fez lembrar do meu trabalho com a Desejante.
eu ainda não decantei suficientemente a sensação deliciosa que senti para traduzir em palavras, mas saber que é esse o tipo de história que as mulheres associam ao meu trabalho me fez sentir um raio de sol de verão aquecer todo o meu corpo frio.
sabe? quando a gente escolhe seguir pelo que acredita, abre mão de muitas coisas, se perde em tantas outras, descobre crises que não sabia que tinha e vira e mexe se sente um pouco perdida por talvez não ter uma referência clara pra seguir. mas sempre, SEMPRE, a vida dá um jeito de se comunicar com a gente pra mostrar que por mais caótico que o caminho seja, é exatamente nele que você deveria estar.
a deusa escreve certo por linhas caóticas, é o que sempre digo.
te escrevo hoje para te dar um shot de energia. eu sei que tem dias que parece que nada vai dar certo e que era melhor você ter prestado aquele concurso público que sua vó tanto queria ou se casado com aquele fulano de quem você se separou para viver a SUA vida.
eu sei que tem dias que você flerta com a existência de uma vida mais fácil, previsível e calma e fantasia que se tivesse ficado onde estava, talvez estivesse melhor. mas eu e você sabemos que não é verdade, certo?
você saiu de onde saiu porque lá não cabia o seu corpo livre, seu desejo enorme, sua gargalhada alta e seus sonhos. você saiu porque sabia que a vida precisava ser bem mais do que aquele roteiro. mas ninguém te prometeu que sair te daria tranquilidade. você pediu emoção, lembra? pediu pra sentir a vida permeando sua existência. pois bem: essa é a vida.
se é preciso sustentar alguns dias de inverno para viver na mesma intensidade a alegria do verão, eu assumo os efeitos colaterais.
o que jamais aceitarei é viver sem estar viva.
te fazer sentir a vida, começando pelo desejo. porque tudo já existe dentro de você, nós só precisamos de tempo e espaço para trazer à superfície. e é o que faremos na Residência Criativa da Chapada dos Veadeiros. estamos na reta final das inscrições e restam apenas 5 vagas pra fecharmos esse grupo de mulheres com sede de criar, expressar e desfrutar. todas as informações estão aqui, mas você pode responder esse e-mail ou me chamar no privado aqui no Substack pra gente conversar mais diretamente.
se tem uma coisa que eu posso te garantir é que durante esses 5 dias você voltará a sentir que seu corpo é um lugar delicioso, fértil e mágico de habitar e que a vida é nossa melhor e mais bonita chance.
aperte o play e sinta:
curadoria da semana
🎧Click Clack Symphony é minha preferida do novo álbum da Raye. além de ser uma parceria com Hans Zimmer (compositor da trilha de Interestellar, entre outras), ela fala sobre o maravilhoso exército de mulheres que nos salvam nos dias de inverno (click clack é barulho dos passos de salto alto)
🎬nada além de Meu Nome É Agneta (disponível na Netflix)
📚para minha imensa alegria, a natália pompeu está de volta e já lançou essa pedrada





O texto me soa como um lembrete de que os ciclos de queda não são falhas de percurso, mas parte do próprio movimento de estar viva e que, talvez, o contrário de “viver” não seja morrer, e sim se anestesiar do que se sente.
"você saiu de onde saiu porque lá não cabia o seu corpo livre, seu desejo enorme, sua gargalhada alta e seus sonhos" ❤️🔥 quando até nossos dias de "estética desorganizada" nos rendem frases tão potentes, é mesmo de celebrar as dores e delícias de sermos cíclicas 💫