já faz um bom tempo que eu quero voltar à Paris. para ser sincera, desde o momento em que saí de lá, em novembro de 2019, depois de seis dias vivendo meu maior sonho da época. eu tinha 28 anos e bem menos dinheiro na conta. na verdade, o dinheiro que eu tinha na conta era o da viagem.
hoje, minha realidade é um tanto diferente. tenho na conta um dinheiro que me permitiria ir e voltar com uma certa de tranquilidade. então porque eu não consigo voltar à Paris, meu deus?
eu sei que está parecendo um problema de gente branca no estilo Fiuk deserdado, mas quem-me-conhece-sabe que vou chegar a um lugar que vai fazer sentido.
“você tinha menos a perder, amiga”
foi o que ouvi quando fiz essa mesma pergunta para quem me conhece de verdade. e precisei de alguns minutos de contemplação para decantar essa pequena frase.
aos 28 anos eu não tinha nada a perder.
tinha uma carreira que estava mais pra lá do que pra cá e trabalhava como freela em restaurantes e eventos. nada era meu. tudo era impermanente, efêmero. inclusive, o dinheiro que eu fazia era apenas destinado a pagar contas. eu não tinha nada que exigisse minha atenção, meu tempo ou meu dinheiro. então por que não direcioná-los ao meu maior sonho?
desde que voltei, minha vida ganhou outro caminho e outras responsabilidades. eu fui morar com o Lucas, comecei meu próprio negócio e passei a desejar uma casa própria, uma criança, uma certa quantia na conta, alguns convites e outras realizações.
hoje, eu tenho muito a perder. mas prefiro pensar de uma forma mais interessante: hoje, esse é meu novo desejo.
para ir à Paris, eu vivi muitos dias fazendo drinks em charutadas, jantares e festas e destinei todo o dinheiro que fiz à viagem, pensando em me virar quando voltasse. para chegar onde eu desejo com a Desejante, eu preciso ter uma reserva financeira e ser responsável com ela.
às vezes, as pessoas me perguntam como eu me mantenho no caminho e não desisto, mesmo quando as coisas ficam um pouco pesadas. eu comecei a refletir sobre isso, ultimamente, para ter uma resposta mais… lógica, talvez?
aos 17 anos eu saí do interior de São Paulo com uma vontade enorme de nunca mais voltar. eu não gostava da minha cidade de origem, não queria viver ali de jeito nenhum. eu queria ver o mundo! ir embora era o único caminho e voltar não era uma opção. eu faria o que fosse preciso para manter meu desejo vivo.
18 anos depois, eu voltei. depois de viver muitas coisas, eu escolhi construir a Desejante. abrir mão dela não é uma opção. então, voltei para onde só desejei sair porque é lá que tenho apoio de quem me ama (aliás, amo minhas pessoas, meu problema é com a cidade).
minha única opção é a realização do meu desejo.
faço o que precisa ser feito, sustento cada desconforto e assumo os efeitos colaterais porque não existe alternativa. e ao longo da minha história, provei para mim mesma que bancar o caminho, funciona.
o que me mantém no caminho é o que me impediu de pisar novamente nos paralelepípedos de Montmartre; o que me faz adiar mais um ano, talvez, a tão sonhada gravidez; o que me fez ir embora do Rosa num Fusca lotado de roupas e saudade antecipada.
eu quero muito que você entenda uma coisa: como mulher, você sabe de cor o que precisa fazer para se tornar desejável. cada passo que dá é medido pelo olhar do outro e é por isso que fica difícil enxergar o caminho aberto pelo seu desejo.
nós ainda estamos aprendendo a dar valor ao que brota única e exclusivamente da gente. por isso, eu tenho certeza de que você sabe o que precisa fazer para se manter no caminho, mas se não o faz é porque ainda não se autorizou a viver pelo que deseja.
não te falo isso para que você se sinta culpada ou comece a buscar o que está errado em você. te falo isso para que saiba que é uma travessia mesmo! nossas avós e até nossas mães não viveram por elas. talvez você seja a primeira geração da sua família que pode viver seus desejos. é natural que se sinta sozinha, sem referência e que pense estar no caminho errado.
mas você não está. se o que te chama a seguir é aquela força estranha que te joga pra frente sem te perguntar se você está pronta para seguir, vá. é por aí mesmo o caminho.
eu sigo o desejo, onde quer que ele me leve. muitas vezes, queria que ele fosse mais simples, mas ele é minha cria e eu nunca me satisfiz com pouco, verdade seja dita. não arrefeço porque sei que assim como me tirei de Limeira, me levei ao teatro e à Paris, me levo a qualquer lugar.
mas aquela versão que me levou à Paris não tem repertório ou maturidade para me levar rumo aos meus próximos desejos. ela não empreende, não viveu uma pandemia, não tem 9 anos de relacionamento… ela foi o começo do caminho. graças a ela, eu existo. mas agora é preciso seguir rumo a versão que existirá graças a mim.
essa que você é hoje te trouxe até aqui, mas para seguir adiante é preciso que você desapegue e permita que outras versões tomem à frente.
confia no que é seu, aponta para o desejo e rema. essa é a resposta.
bons ventos pata nós!
eu espero que essa edição acenda uma faísca interna em você. e quero também te convidar a fazer parte de uma comunidade de mulheres que querem dar corpo aos seus desejos e criar uma vida mais desejante.
o Círculo Desejante nasceu, minha gente!!! finalmente um lugar só nosso para atravessarmos juntas os efeitos colaterais de sermos Desejantes, dos desafiantes aos deliciosos!
o que faremos juntas é fortalecer a sua coragem de bancar o que deseja e trazer direcionamento com encontros práticos e aulas ao vivo para você ocupar o seu verdadeiro tamanho, aprender a desfrutar e se realizar com o que cria, expressa e manifesta.
temos dois planos disponíveis e uma programação até o final do ano com convidadas especiais: Andrea Salgueirinho (coragem), Sheyla Smanioto (criatividade e desejo), Jessica Baracat (finanças) e Ananda Sueyoshi (produtividade e planejamento). além de, claro, os encontros com essa que vos escreve :)
curadoria da semana
🎧a laurinha lero voltou a ter um podcast para o bem da nossa sanidade
🎬gente, eu comecei a assistir “Sua Mãe Te Conhece?”, um reality besta da Netflix e fiquei viciada hahaha achei divertido e interessante ver o conflito de gerações e as diversas formas de ser mãe
📚 “eu tenho essa tendência de crescer com o tempo”, escreveu a Fabiane Guimarães aqui e eu me emocionei




