— eu acho bom você marcar uma consulta com um psiquiatra.
foi o que minha analista me disse na última sessão. senti um alívio grande atravessar meu corpo e relaxá-lo célula por célula. “não estou imaginando coisas”. senti que alguma coisa dentro de mim foi vista e se alegrou por isso.
eu ando muito cansada e com a sensação de quem esgotei a fonte. sabe? já sentiu isso? como se tudo o que você pudesse dar, foi dado. agora o que resta é um vazio a ser reabastecido.
existem vazios e vazios.
um precisa permanecer intacto e sustentado porque é nesse espaço que a criatividade e o desejo se sentem livres para brotar e florescer. como um útero ou um núcleo atômico. no início, não há nada.
mas existe outro que é um tanto perigoso. o vazio energético, vital. aquele que aparece quando você se olha nos olhos e vê apenas cansaço. aquele que te faz preferir mais horas de sono a uma caminhada ouvindo sua playlist preferida. aquele que te faz desejar o sábado como nunca porque lá o despertador não toca. aquele que comemora a cada reunião desmarcada e que prefere passar horas jogando o jogo inútil da setinha ao invés de terminar de ler Cem Anos de Solidão.
sabe? já sentiu isso?
fui para São Paulo votar. vi as pessoas adesivadas, empolgadas, emocionadas, esperançosas. senti falta de sentir a mesma coisa… uns anos atrás, eu estaria assim. uns anos atrás, eu teria mergulhado com tudo! mas esse ano eu não tive energia, força, vontade, inspiração ou fé pra isso. fiz o que pude e, sim, pude bem pouco.
essa mania de questionar tudo que eu tanto gosto sobre mim se tornou um pouco grande demais. me tirou a paixão, a convicção, a fé. porque se tudo é passível de questionamento, o que me resta como verdade?
percebi por comentários de amigas que elas esperavam mais de mim. como eu explico que eu também? tenho esperado mais de mim esse ano inteiro. tenho muito mais para dar, contribuir… tenho muito mais para aprender, absorver. mas o símbolo da energia vital piscou no painel alertando que estamos na reserva.
tô tão cansada…
se fecho os olhos, volto para 2019. hoje (30/10) eu estaria na véspera de embarcar para uma viagem de 20 dias pela Europa. falo muito dessa viagem, né? eu sei. ela significa muito pra mim, mesmo. acho que é porque aquela versão de mim era cheia de sonhos e estava, naquele momento, realizando um deles. um sonho que não tinha nenhum objetivo a não ser satisfazê-la.
ultimamente, meus sonhos carregam um pouco mais de responsabilidade.
não me entenda mal, eu sou feliz. gosto muito do que faço e esse ano coroei tudo o que acredito e ainda desejo alcançar com o lançamento da Desejante. mas tô cansada… talvez porque minha cria ainda dependa muito de mim e dos meus recursos.
(acabei de receber a confirmação do psiquiatra. me consulto em 12 dias.)
mas também não quero me explicar, sabe? também tô cansada disso.
quando fiz minha leitura de tarot anual, a carta que resumia meu ano era a da coroação. aparentemente, seria um ano de morrer e renascer. seria, não. tem sido exatamente isso. 35 é final de setênio, né? hora de passar o bastão para a versão de mim que correrá os próximos 7 anos porque essa aqui já está gastando seu último fôlego.
cansei, amigas. vou acender minhas velas, tomar meus banhos de erva, seguir com a análise, me encontrar com o Dr. Roberto dia 11 e em dezembro, estarei no retiro Danza Medicina na Bahia. vou comer bem, dormir e me dar o que preciso. se eu sumir, não é por mal. eu só tô cuidando de mim.
curadoria da semana
🎧descobri Irepelusa e amei
🎬tô assistindo Masterchef Profissionais e sou 100% time Irina. e você?
📚travei em Cem Anos de Solidão, então comecei a ler o famosinho Bons Tempos. olha, tô intrigada, viu? depois volto para contar o que achei.



Te mando um abraço forte, Yna! ❤️ sumir às vezes é importante pra gente se ver de novo, reabastecer e cuidar de si. Beijo!
Se cuide mesmo! Não são tempo fáceis e precisamos estar inteiras de nós pra poder ser parte do todo!