minhas paixões perderam a intensidade
o desejo de me manter lúdica e lúcida na vida adulta
aos 7 anos, eu era obcecada pelas Spice Girls. minha favorita era a Geri e eu lembro de pedir para minha mãe comprar um tipo de rímel que coloria os cabelos (isso ainda existe?) para que eu fizesse mechas avermelhadas nos meus cachos castanhos.
aos 12, eu era obcecada por Harry Potter e tinha a certeza absoluta de que me casaria com Daniel Radcliffe. na minha cabeça, era só a gente se conhecer e pronto! felizes para sempre (sim, eu beijava o poster pendurado na parede do meu quarto todos os dias).
aos 16, eu era obcecada por O Teatro Mágico. comecei a fazer circo, virei vegetariana e pedi que minha mãe fizesse uma roupa de boneca para eu frequentar os shows. eu ia toda montada e passava horas na fila como se estivesse esperando um artista internacional em um estádio lotado — mas era só o clube da minha cidade mesmo.
aos 23, eu era obcecada pela Marilyn Monroe. comprei um box com todos os seus filmes, assisti quase todos, li sua biografia, assisti documentários, entrevistas, comprei vários livros, decorei suas músicas e fingi que sabia cantar para apresentar um show fingindo ser ela.
minha última obsessão foi aos 25 com o reality RuPaul’s Drag Race. tenho no dedo anelar esquerdo uma tatuagem de concha que copiei de uma das minhas drags favoritas do programa.
coincidentemente, dizem que aos 25 o córtex pré-frontal se fecha por completo e nosso cérebro passa a ser adulto de verdade. coincidentemente, também é quando o rito de astrológico de passagem para a vida adulta começa a se aproximar (o famigerado retorno de Saturno).
de repente, minhas paixões perderam a intensidade.
a Geri se tornou uma lembrança bonita de quando fiquei internada com meningite e meu pai apareceu com uma VHS onde ele havia gravado o show que passou na Globo para eu poder assistir do hospital.
Harry Potter ganhou uma profundidade filosófica que antes eu não tinha repertório para compreender e O Teatro Mágico… eu sinto que é um lugar lúdico, poético e bonito que eu adoraria construir para minha futura cria habitar durante a infância. Castelo Rá Tim Bum, No Mundo da Lua, Capitu, Hoje É Dia de Maria… mesma espécie, sabe? esse lugar analógico com gosto de bolo quentinho saindo do forno numa tarde ensolarada de outono.
tudo aquilo que antes me levava para um mundo outro e me fazia sonhar com as mil e uma possibilidades de habitar o impossível se tornou repertório na construção de uma vida real.
eu não sinto falta de ser obcecada, mas do encantamento que tirava meu fôlego, às vezes. de me perder em sonhos acordados que me faziam andar pela rua falando sozinha enquanto vivia cada cena na minha mente.
eu não tenho mais aquele filtro de intensidade que fazia com que tudo fosse profundamente vivido através dos meus poros. vez ou outra, me pergunto pra onde ela foi… cadê aquela garota que olhava o mundo como se ele fosse um filme da Nouvelle Vague (outra obsessão dos 20 e poucos)?
conversando com minha mãe, ela me disse que gostaria de ter tido uma fase onde a intensidade lúdica existisse. mas a realidade se fez presente cedo demais, roubando os anos de cores e amores intensos.
lembrei que quando eu era criança, acreditava que na primeira estrela que aparecia no céu, morava uma fada. todos os dias, eu repetia: “primeira estrela que eu vejo, realiza o meu desejo!” e sabe o que minha mãe fazia? espalhava bilhetinhos pela casa dizendo que eram da fada para mim. eu ainda não sabia ler, mas ficava tão encantada!
certo dia, acordei e ao lado da minha cama estava um cofrinho da Barbie exatamente como eu havia pedido pra fadinha. nunca na minha vida eu esqueci daquela sensação de alegria.
eu pude habitar com tranquilidade por tanto tempo o Reino das Ilusões porque aqui da Realidade tinha uma pessoa arquitetando cada detalhe.
a vida adulta pode até ter me tirado a intensidade, mas é uma questão de honra continuar o legado do encantamento que minha mãe iniciou. por isso, nomeio meu projetor de Jorge, meu fusca de Hebe (ela é drag) e peço desculpas para as roupas que ficam em casa quando viajo, prometendo que elas irão na próxima aventura. ainda suspiro um “UAAAAU!” sempre que vejo a Lua e sorrio todas as noites para a primeira estrela que vejo.
nesse ensaio que vivo para me tornar mãe, faço uma promessa para a fantasia: prepare os unicórnios e as fadas estelares porque minha cria também visitará seu Reino.
se hoje vejo beleza no mundo, é porque fui treinada para reconhecê-la.
se hoje a realidade, apesar de menos colorida, ainda me encanta, é porque aprendi a fazer arte e criar mundos com o que tenho em mãos.
então cadê aquela garota que olhava o mundo
como se ele fosse um filme da Nouvelle Vague?
aqui. ela está bem aqui.
para salvar o Reino Encantado interno governado pelo Desejo e pela Criatividade, criei espaços de suspensão do tempo onde os ruídos silenciam e é possível voltar a ouvir a própria voz, limpa e lúcida.
a pré-venda para a Residência Criativa na Praia dos Carneiros está aberta com um desconto especial (até 12/08). vai acontecer de 09/10 a 13/10 e 25% das vagas já foram preenchidas! aqui você tem todas as informações detalhadas. é só preencher o formulário e esperar um pouquinho para te chamarmos no whatsapp!
lancei uma coisa secretinha e agora é hora de dividir com vocês: eu trabalho com o que crio desde 2020, mas foi uma longa jornada para aprender a me vender com confiança, viu? eu acreditava que cobrar o preço justo era inconveniente e incoerente com meus ideais. percorri um bom caminho para limpar de mim toda essa craca e entender que minhas criações tinham, sim, valor e poderiam, sim, ter também um preço. pensando em você que pode estar no mesmo lugar que eu estava quando comecei, criei o Vendas Para Criativas: um atendimento individual para pessoas criativas que desejam vender o que criam sem vender a alma. ali na página você tem mais detalhes e meu número de whatsapp para conversarmos e você entender se é o que tá buscando.
curadoria da semana
🎧eu adoro uma música francesa melancólica
🎬quinta passada aconteceu essa live fantástica da Gaía Passarelli com a diva-mor Verbena Cartaxo e se você está aqui no Substack criando, você precisa assistir! saí fervilhando ideias!
📚essa edição do Matheus de Souza me levou para viajar de moto pelo Vietnã e lembrar que ser gente é bonito demais






Que texto, Yna! Potente e sensível na mesma medida ❤️🔥
quiçá, os trânsitos astrológicos e neuronais dessa fase nos ajudem a construir uma estrutura que não seja prisão, mas palco "para dar luz à uma estrela dançante", para que nossas crianças e adolês internas se sintam ainda mais seguras para brilhar, sabendo que não deixaremos de construir a realidade distraídas pela fantasia. ao contrário: nos inspiraremos nelas, materializando. e isso agora me levou muuuito para "de repente 30" haha. amei começar a segunda, dia oficial da disciplina, adentrando o mundo da little Yna <3