meu cérebro é uma coisa selvagem
os processos criativos de uma mente caótica
“o meu cérebro é uma selva selvagem cheia de baboseiras assustadoras: estou escrevendo uma carta... não consigo escrever uma carta... por que não consigo escrever uma carta?estou usando um vestido verde, queria estar usando meu vestido azul... meu vestido azul está na lavanderia. os alemães vestiam cinza, você vestia azul... ‘Casablanca’! ‘Casablanca’ é um filme tão bom... Casablanca, Casa Branca, Bush. por que não dirijo um carro híbrido? eu devia pilotar uma bicicleta pro trabalho. bicicleta, monociclo, maiô de ginástica. disco de hóquei, cobra cascavel, macaco, macaco, calcinha!”
esse é um pequeno monólogo de Gilmore Girls onde a Lorelai explica como o cérebro dela funciona, mas poderia facilmente ser uma explicação minha sobre essa selva selvagem que é a minha mente.
nas minhas mentorias, uma parte do meu trabalho é ensinar estratégias de conteúdo para redes sociais e anúncios. costumo explicar o passo a passo certinho do que torna um roteiro atrativo: título, contexto, desenvolvimento, gancho, CTA. dou vários exemplos de conteúdos meus e de outras criadoras que admiro, mas sempre tem um momento que AS perguntas surgem:
“como você cria, Yna? como é o seu processo? como você se organiza?”
e aí eu respiro fundo e penso por alguns segundos em como explicar pra mulher que está à minha frente que a minha mente é um grande caos onde coexistem inúmeros pensamentos e uma trilha sonora?
eu penso e crio. sinto e escrevo. observo e falo. não deixo as ideias cozinhando muito tempo na mente porque sinto uma coisa muito forte empurrá-las para fora como se o lugar delas não fosse aqui dentro, mas no mundo. tenho uma urgência de compartilhar e mostrar. além disso, me interesso por assuntos que vão de fofoca de celebridade à teses de mestrado.
no balaio da minha mente, conecto todas essas aleatoriedades e transformo em um produto final que eu chamo de conteúdo. desse jeito:
enquanto te escrevo, me sinto levemente arrogante e acho importante dizer isso porque é preciso expor os sabotadores para que eles se calem.
considero, sim, uma excelente habilidade para uma pessoa que trabalha com criatividade. confesso que me ajuda muito a criar conteúdos em tantas plataformas diferentes. mas (porque sempre existe um mas) quando o caminho é criar — compartilhar, perde-se uma etapa crucial para a excelência: lapidar.
por anos eu não me preocupei em revisar meus conteúdos. por anos eu não tive um backup. eu criava, postava e apagava. não tenho o arquivo de várias criações, o que hoje me ajudaria muito porque poder reciclar o que já criei e só postar seria uma economia enorme de tempo e energia.
muitas vezes, enquanto estava gravando um episódio de podcast, pensei que seria muito melhor ter comigo mais referências para citar e poder mostrar pras pessoas como cheguei àquele raciocínio.
estou numa fase do trabalho que preciso da lapidação. meu conteúdo precisa evoluir e atingir uma maturidade maior. pra isso, eu estou aprendendo a cultivar a paciência de fazer as coisas em outro tempo.
por isso, não ensino como eu crio. além de não saber como traduzir a bagunça, como mentora, eu compartilho o que aprendi ser melhor depois de tantos erros e acertos. e eu acredito que seguir por um caminho que não pule nenhuma etapa é a melhor escolha.
pensar - criar - lapidar - agir
no mundo ideal, essa é a ordem das coisas. no mundo de cada uma, a gente faz o que pode com o que tem. de todas elas, eu sinto que a única que não deve jamais ser ignorada é a da ação. porque você pode criar sem pensar direito e depois lapidar, você pode agir e depois pensar para lidar com as consequências, mas quando a ação não existe, nada existe ou se transforma. tudo permanece inerte, intacto, imóvel.
e a vida simplesmente deixa de acontecer.
não importa como eu ou você criamos. cada processo é único e se encaixa perfeitamente à sua criadora. eu só entendi o que funciona pra mim e o que preciso melhorar porque vi as coisas acontecendo no mundo real. na minha mente, tudo parecia muito melhor ou muito pior do que realidade.
então, eu posso até não conseguir te explicar como eu crio. mas se eu posso te inspirar em alguma coisa, que seja a agir.
eu errei muito e ainda erro. crio muita coisa que não amo e outras que me fazem ser fã de mim mesma. mas eu só conheci a voz do meu desejo e soube quem eu era a partir do movimento.
por isso, mulher, não demore muito para botar no mundo suas criaturinhas. elas podem não estar prontas, mas você também não estava quando nasceu.
menina, e eu que tô indo pra Chapada dos Veadeiros? esse texto chegará pra você quando eu já estiver em Brasília. a primeira edição do ano da Residência Criativa está acontecendo e vou compartilhar tudinho nas redes sociais, pra quem ainda habita aquelas terras controversas.
e pra quem não pode ir nessa edição, estamos com vagas abertas para a próxima que vai acontecer de 09/10 a 13/10 na Praia dos Carneiros, Pernambuco. estamos com condição especial de pré-venda até 12/08 e 50% das vagas já foram preenchidas! você acessa todos os detalhes aqui:
curadoria da semana
🎧essa é a playlist que uso nas práticas das vivências
🎬gente, pelo amor de deus, assistam o curta da Anitta pra divulgação do novo álbum, Equilibrium II. lindo, belíssimo, arte, chorei.
📚esse texto da Bê Morra sobre suas origens me deixou emocionada




