investir em mim sem sentir dor.
em 2026, eu não aceito mais gambiarras
“pro peixe que é, o molho passa”. era o que dizia minha avó Abadia para dizer que pra quem era, qualquer coisa servia. e era exatamente assim que eu estava vivendo até agora.
recebi visitas para o ano novo e estava super animada para mostrar meu paraíso particular pras minhas amigas. chegando aqui, meu carro não quis funcionar. é um idoso, né? um Fusca branco de 1972 que passou mais de um mês sem ser ligado e se acostumou com a vida boa de não fazer nada.
Ubers não gostam de vir até a minha casa porque quando chove a estrada de terra fica bastante esburacada (se você tem tiktok, procure os vídeos do ano novo na Praia do Rosa e entenderá).
no dia seguinte da primeira noite das minhas amigas aqui, uma delas me conta que tinha uma goteira exatamente em cima de sua cama. uma novidade em um momento completamente inconveniente.
percebo que também não tenho espelho suficiente na casa, apenas um de rosto no meu banheiro. somos quatro mulheres e nenhum espelho de corpo todo para avaliar os looks diários. pra mim, até então, não era um incômodo. eu pedia para o Lucas segurar o espelho pequeno de uma distância que eu conseguia me ver e pronto.
eu moro no paraíso. uma vista de tirar o fôlego! mas numa casa de madeira que, como tudo o que é vivo, se movimenta e se adapta ao clima. goteiras e aberturas novas aparecem, vira e mexe.
como a estrada é de terra e a maresia corrói os metais, optamos por ter um carro resistente, charmoso e idosinho para não ficarmos com dó nas buraqueiras. mas temos que lidar com seu temperamento instável.
mas de repente olhei em volta e percebi que estava usando a mesma canga desbotada e rasgada na ponta, roupas de cama com o elástico do lençol já gasto, panelas que grudam a comida e demoram para soltar e xícaras ao invés de copos simplesmente por não me importar.
“tanto faz” eu repetia mentalmente enquanto dava de ombros, “funciona do mesmo jeito”. até que minhas amigas vieram me ver e eu vi a minha vida através de seus olhos. se eu fosse minha amiga, o que diria a mim mesma?, pensei e tive uma epifania.
EU NÃO ACEITO MAIS GAMBIARRAS. foi a primeira coisa que escrevi na minha lista de resoluções. e para provar pra mim mesma, comprei uma canga maravilhosa que estou de olho desde o verão passado. parece uma atitude capitalista-pequeno-burguesa, mas tem um grande significado pra mim.
investir em mim sem sentir dor.
minha amiga estava comigo no momento da compra e me disse: é a primeira vez que te vejo comprar sem sofrer. e sabe por que eu sofria? não por não ter condições de pagar, mas por sempre achar que eu estava fazendo algo desnecessário por capricho.
sempre que era pra mim, era um capricho. sempre que era para o outro, era um cuidado. pra mim, o que dá. pro outro, o que eu quero dar.
eu não estou aqui incentivando o consumismo, nem dizendo que comprar soluciona dores. sei que você me entende. estou embasbacada sobre como passei uma parte imensa da minha vida vivendo improvisado e esperando chegar uma grande coisa que mudaria essa condição. até entender em 2026 que essa grande coisa sou eu mesma.
eu preciso chegar por inteiro na minha vida. não sou mais apenas uma menina sonhadora, sou também a mulher que realiza. não preciso esperar por ninguém para dar a mim mesma o que eu desejo e preciso. seja uma canga bonita ou a capacidade de correr 5km.
me toquei que por mais que eu tenha conquistado muitas coisas, ainda estava me comportando como um peixe meia-boca que qualquer molho da jeito. não no meu trabalho, mas aqui nos bastidores. e é ilusão achar que uma coisa se separa da outra. se a base está bamba, a estrutura não se mantém. se eu não visse o que vi, tudo poderia desmoronar a qualquer momento.
mas eu vi. graças à minha percepção e a quem desenha através das situações que vivo aquilo que preciso ver. aliás, eu poderia ter ouvido o sussurro gentil de antes, mas deixei chegar num ponto que foi preciso me deixar sem carro num dia chuvoso com visitas em casa e nada para comer.
no fim, tudo foi solucionado e vivemos dias lindos. e eu restei com a certeza de que não posso mais negligenciar meus espaços, internos e externos.
demorei um pouco, assim como meu Fusca, mas despertei. e é daqui que eu escolho começar a construir esse novo ano.
para o meu 2026…
o ano que me despedirei da versão de mim que é uma só: pretendo abrir espaços para gestar uma vida em algum momento. compartilharei com vocês esse processo de despedida como uma grande festa de celebração! carnaval e uma grande viagem entre amigas estão na lista do que pretendo realizar antes de trocar de pele
correr 5km em 30 minutos, continuar na musculação e cozinhar minhas marmitinhas para ficar gostosa, saudável e desejante
chegar a 10k de inscritos aqui na newsletter e no Youtube
lançar a Comunidade Desejante pra gente ficar ainda mais próxima e aprofundar estudos e trocas
dobrar meu pró-labore
para o seu 2026 ficar ainda mais Desejante…
tenho 3 vagas para a Mentoria Comunicação Desejante com início agora em Janeiro (a mentoria tem duração de 5 meses, por isso, só vou reabrir horários no próximo trimestre). nela, nós trabalhamos estratégica e emocionalmente a maneira como você se comunica e expressa no seu trabalho, desde as redes sociais até sua expressão corporal, para que seu valor seja visto e suas ideais, ouvidas e valorizadas. para aplicar, acesse a página aqui, preencha o formulário e aguarde meu contato.
todo início de ano, abro minha agenda de Tarot para quem deseja ter um spoiler sobre como será seu ano pessoal de 2026. a sessão dura no máximo 2h e é ao vivo pelo Google Meet. para ter mais detalhes e agendar o seu horário, me chame aqui.
curadoria da semana
🎧essa música-oração para ouvir sempre que precisar de um reforço energético
🎬ano passado terminei a série Vikings e a última cena foi, eu acredito, o final mais bonito de série que eu já vi. se você não gosta de spoiler, não clique aqui
📚estou lendo Calibã e a Bruxa de Silvia Federici bem devagarzinho para absorver com calma tanta informação






Yna, compartilho de um sentimento semelhante, especialmente com relação a casa. Me mudei para a capital do estado sozinha aos 17 anos para fazer faculdade, meus pais me ajudaram a montar meu apartamento e sempre ajudaram com uma manutenção ou outra. Acontece que esse tempo todo eu lidei com a minha casa como se fosse algo provisório, nunca comprei um sofá, nunca pintei as paredes, nunca decorei do jeito que queria.
Percebi que, assim como você falou, eu estava aguardando algo chegar e transformar tudo, esperando, um dia, virar adulta e ter um apartamento de verdade. Porém, como 99% das pessoas da minha idade, eu estou muito longe de comprar uma casa própria, também já decidi que não quero voltar pra casa dos meus pais agora que já estou formada. Sendo assim, a única opção que resta é transformar essa casa em lar, também tenho essa resolução de parar de gambiarras no meu lar, comprar panelas, copos que combinam, decorações que deem minha cara pra esse lugar.