f*da-se. enlouqueça!
seja maluca o suficiente para acreditar em você
uma vez, vi um vídeo da Gabriela Prioli dizendo: “sabe qual é a bebida que mais dá energia? a água! porque quando ela bate na bunda, nada te segura”. eu ri e concordei, mas depois comecei a refletir…
será que a gente precisa mesmo se levar ao limite para ousar sair do lugar?
não sei você, mas eu era aquele tipo de estudante que um dia antes da prova se trancava no quarto por 4 horas ininterruptas para estudar tudo o que não tinha estudado o mês inteiro. decorava a apostila inteira para ter certeza de que saberia as respostas exatas. o resultado? eu só tirava notas altas.
por essa razão, internalizei que o desespero era o combustível do meu sucesso. criei uma habilidade incrível de resolver as coisas rápido, de última hora e improvisar, caso precisasse. e o pior é que sempre dava tão certo que eu nunca vi motivo para mudar.
piorou um pouco quando me tornei atriz e passei a mentir:
anda a cavalo? sim.
dirige carro? sim.
moto? sim.
caminhão? sim.
nada me escapava. “se eu passar, eu me viro. o importante é pegar o trabalho.” o importante era sempre o o quê, nunca o como.
não é o melhor dos métodos, mas confesso que me rendeu duas coisas que considero bastante importantes para encarar o que eu faço hoje:
coragem e ousadia para saltar no vazio
uma resistência à rejeição
eu odeio ser rejeitada. me dá uma raiva tremenda e uma vontade de sumir no mundo para provar como a minha ausência provoca dor. não provoca, as pessoas seguem suas vidas muito bem, obrigada, mas essa é a minha fantasia. mas só chego nesse nível na centésima mensagem que envio para a cliente-que-preencheu-o-formulário-interessada-em-saber-mais-do-meu-trabalho-não-responde. e eu sinto que é por isso que ainda estou aqui.
hoje eu trabalho internamente para que o desespero seja cada vez mais destronado e o desejo seja o único combustível. porque eu acredito que quando o desespero entra na frente, nós perdemos o contorno de nós mesmas e passamos a aceitar o “a qualquer custo”. e nada do que é construído desrespeitando nossas fronteiras nos satisfaz de verdade.
sabe quando olhamos alguém que tem tudo, mas permanece infeliz?
é porque o tudo custou a própria identidade.
hoje meu interesse está em colocar cada vez mais quem sou em tudo que faço. como diz meu poema preferido do Fernando Pessoa: “sê todo em cada coisa | põe quanto és no mínimo que fazes”. isso tem me obrigado a caminhar em outro ritmo sem perder a ousadia jamás.
aquele que inicia a jornada no tarot é o Louco. à beira do precipício, olhando para cima com um semblante leve e confiante, ele avança. aos seus pés, um cachorro representando seus instintos. no céu, o sol brilha forte iluminando o caminho e as verdades. ao contrário do que se pensa, o Louco não é um inconsequente. ele simplesmente tem fé. “dá o passo que Deus dá o chão”, sabe? e no caso do Louco, Ele realmente dá.
semanas atrás, estávamos na Chapada dos Veadeiros guiando a Residência Criativa. quando a Lavínia, minha sócia, chegou, nos olhamos nos olhos e começamos a rir pensando em tudo o que fizemos para chegar até lá. afinal, nós não conhecíamos a Chapada.
essa experiência aconteceu a partir da confiança que tínhamos em todas as profissionais que estavam com a gente na logística e, principalmente, a partir da confiança que temos em nós mesmas e no que estamos construindo.
como o Louco, seguimos nosso caminho rumo ao desconhecido com leveza na alma e instintos afiados. na mochilinha, carregávamos nosso conhecimento e todo preparo, sabendo que eles nos servem até um pedaço da jornada. depois, para avançar, é preciso inevitavelmente saltar.
não confunda:
1. ousadia com irresponsabilidade
2. estar preparada com estar pronta.
quando tudo o que precisava ser feito para que tivéssemos uma viagem segura, confortável e com espaço para que a identidade da Desejante aparecesse através das práticas e experiência gastronômica, nossos próximos passo eram: conquistar as mulheres que viriam com a gente, comprar nossas passagens, entrar no avião e permitir que a aventura começasse.
saltamos, então! e com todos nossos medos e desejos correndo por nossas veias, entregamos mais uma edição da Residência Criativa. e foi lindo, viu? estávamos todas ali superando juntas desafios pessoais entre um banho geladíssimo de cachoeira e outro.
o que acho mais forte nesse trabalho é poder estar em uma posição de liderança de forma horizontal. meus sentimentos e desafios também são ditos em voz alta porque eu acredito no poder da troca. eu quero muito que você me veja e pense: “se ela faz o que faz sentindo o que sente, eu também consigo”.
no quarto de hotel em Brasília, eu passei alguns minutos dando voz ao meu medo de tudo dar errado. me perguntei várias vezes por que eu faço isso comigo e me deixei fantasiar no quanto minha vida seria mais fácil se eu tivesse prestado um concurso público. então, respirei fundo, peguei na minha mão e passei na minha mente o filminho de tudo o que eu tinha feito pra chegar até ali.
eu acho que isso que queremos dizer quando falamos: “vai dar certo porque eu sou louca”. a gente se permite surtar no caminho e, ainda assim, permanecer nele por confiar no que nos protege e no que desejamos.
confie na sua insanidade, mulher! é ela que vai te levar além. porque entenda: não dá pra ser sã estando lúcida. quanto mais você se revela a si mesma, mais maluca você fica aos olhos do que te sabota.
foda-se. enlouqueça e salte! uma jornada extraordinária te espera.
para você entender melhor, a Residência Criativa é um retiro criativo que tem como objetivo ser um espaço de descanso, prazer e experimentação para mulheres. por isso, os detalhes: hospedagens gostosas e com cara de casa para realmente nos conectarmos, comida caseira com um toque profissional pelas mãos talentosas da nossa Chef (sempre a mais elogiada) e práticas para aguçar os instintos e sentidos: escrita, dança, conexão corporal, pintura, colagem e dinâmicas intuitivas com o Oráculo das Rosas.
ela volta a acontecer de 09 a 13 de Outubro na Praia dos Carneiros. será nossa segunda vez nesse paraíso que se tornou a casa oficial do nosso projeto, a Casa Beira Mar. restam apenas 4 vagas e você pode conhecer os detalhes, falar com a gente e garantir a sua aqui: https://residenciacarneiros.desejante.com.br
vou ficar bem feliz se você vier. eu amo quando quem se conecta com meus textos também se conecta com meu trabalho. se preferir, pode responder este e-mail ou me chamar no direct do Substack que conversamos melhor.
curadoria da semana
🎧eu amo o tiktok para descobrir cantores novos e música boa. essa semana conheci o Steve e a Fernanda e tô apegada
🎬estou assistindo Killing Eve e completamente viciada
📚preciso confessar que não ando boa de leituras por esses dias, o que está me incomodando. mas faz umas semanas que estou lendo Cem Anos de Solidão pela primeira vez e gostando bastante. você já leu?






demoreeei pra acabar cem anos de solidão pela complexidade da narrativa. são muitos detalhes, personagens e semelhanças em que precisamos prestar atenção, mas vale a insistência! essa leitura é um ótimo estímulo pra mentes criativas, me pegava o tempo todo imaginando e tentando visualizar o que Garcia Marquez descrevia. dito isso, amei o texto de hoje! realmente precisamos confiar que as coisas vão dar certo porque nós daremos um jeito e temos capacidade suficiente pra isso. 🩷
"É sempre bom lembrar que num é bom mexer com a maluca." Amei o texto, e de fato, a melhor coisa pra nós é abraçar a nossa maluquice.