engole o choro e vai viver
nós não somos pobres coitadas
rolando meu feed despretensiosamente, me deparo com vídeos de um rito iniciático que mulheres millenials (1980-1996) criaram para meninas da geração Alpha (2010-2024): apresentar para elas os filmes que desgraçaram a nossa vida na adolescência e ver o que acontece.
as crianças, obviamente, ficam aos prantos assistindo o Jack afundar lentamente no oceano enquanto a mãe | irmã | tia | prima chora de rir. eu me divirto muito assistindo, mas ao mesmo tempo comecei a refletir sobre toda nossa existência (minha e sua, minha cara colega geracional).
meu filme preferido da infância era O Rei Leão. minha mãe disse que eu chorava todas as vezes e, mesmo assim, não queria ver outra coisa.
te confesso que a minha lembrança mais viva do filme é a cena de Hakuna Matata e talvez por isso eu sempre quisesse ver. tudo bem atravessar a dor do início pra depois ouvir que os meus problemas eu devo esquecer, e que isso, sim, é viver!
penso que nós desenvolvemos uma capacidade muito grande de nos anestesiarmos da realidade porque desde muito crianças nos deparamos com a ameaça dela. e aqui eu direciono esse pensamento para pessoas que nasceram dentro de um certo conforto, como eu.
era conflitante não ter nada de muito horrível acontecendo, ao mesmo tempo que muitas coisas ameaçadoras nos orbitavam. uma briga dos pais que ameaçava um divórcio, uma crise financeira que ameaçava o conforto ou uma dificuldade na escola que ameaçava todo o futuro.
muitas vezes, nada dessas coisas realmente acontecia, mas a ameaça constante de que podíamos perder absolutamente tudo estava sempre ali, à espreita.
e aí para relaxar um pouco, assistíamos Chiquititas, Chaves, PS Eu Te Amo, Um Amor Para Recordar, Moulin Rouge, Titanic… confirmando de maneira poética e ilustrada que a vida não é justa. ela muda e acaba num piscar de olhos.
não me surpreende que a gente tenha bebido e se entorpecido tanto nos 20 e poucos anos. e olha que eu fui das mais caretas… tive meu primeiro porre aos 18 e fumei maconha pela primeira vez aos 24 anos.
minha droga era sonhar que um dia eu seria uma grande atriz. simulava discursos de prêmios e alimentava a certeza absoluta de que alguém, em algum momento da vida, veria o quão brilhante eu era.
mas nós não somos pobres coitadas
hoje em dia, eu atendo em mentoria muitas mulheres da mesma geração que eu e um sentimento constante é o medo de perder tudo. além do medo de ser julgada e de falhar em público.
com todo respeito, mas eu nos considero muito imaturas. eu sinto que forjamos uma realidade abstrata de sucesso que nos faz temer absurdamente a realidade. também nos ressentimos com nosso esforço não reconhecido e nos adoecemos tentando fazer mais para provar nosso valor porque ainda estamos presas na ideia de que alguém vai nos escolher. e quando não nos escolhem, desmoronamos. ao mesmo tempo que nos achamos um lixo, ficamos com raiva do outro que não foi capaz de enxergar nosso brilhantismo.
acredito que nossos problemas diminuiriam de intensidade se fincássemos os dois pés na realidade e parássemos de achar que somos muito fracas para das conta da vida. porque não somos.
eu entendo que queremos ser gentis com nossos processos, acolher as dores da criança interior e lamber nossas feridas, mas sinto que estamos sendo passivas demais, frágeis demais, mimadas demais.
o maior choro que recebo das mentoradas é em relação à criação de conteúdo. elas tem um projeto autoral e querem vendê-lo, mas não querem se expor ou se render ao mecanismo das redes sociais. essa conta simplesmente não fecha e eu ouço isso de praticamente todas elas…
pensa aqui comigo: as pessoas que você segue, ama e compra os cursos, mentorias, vivências chegam até você como? são pessoas que você admira, certo? não são pessoas que você considera cafonas e com zero senso crítico, certo? ainda assim, essas pessoas estão criando seus conteúdos, rodando seus anúncios, ofertando seus produtos e fazendo o necessário para viver daquilo que criam. e você continua gostando delas, certo? preciso dizer mais alguma coisa?
preciso: pare de achar que vai existir um jeito mais fácil e indolor de fazer as coisas e atravessar a vida. não vai. a vida é aquilo lá mesmo que a gente assistia na infância e não dá pra esquecer dos seus problemas porque, mais cedo ou mais tarde, eles te encontram no caminho.
mas você não é mais aquela criança frágil descobrindo a vida há muito tempo. você é mulher feita! pelo amor de Deus, vá em frente!
tentar se esconder da vida criando uma realidade paralela era bonitinho e funcional na infância. agora é triste. porque agora você tem escolha e recursos para dar conta. então vai viver, mulher! porque a vida não vai deixar de acontecer pra esperar você estar pronta.
além disso, essa postura de fragilidade feminina foi construída cuidadosamente para nos prender ao que nos encarcera. não sei você, mas eu escolho diariamente a desobediência.
dá um tempo na criança e olha bem pra mulher que você se tornou. olhando daqui, ela não tem cara de quem cai por pouca coisa.
ela sabe o que você deseja. confia nela e avança.
eu te trato como adulta e te guio na criação e expressão do seu desejo na Mentoria Comunicação Desejante. tenho apenas 3 vagas para início em Fevereiro. vem tomar um café gratuito comigo para saber mais? agende aqui.
e de 17 a 21 de Abril, eu te convido a se dar de presente um momento de ser cuidada, ouvida e acolhida num lugar paradisíaco, com comida deliciosa e práticas divertidas e profundas na mesma medida. tô falando da Residência Criativa na Praia dos Carneiros! temos apenas 7 vagas e estamos na condição especial de pré-venda. acesse aqui para conhecer e se inscrever.






curadoria da semana - especial O Agente Secreto porque tamo indicado, c*r*lho!!!
🎧a playlist da trilha sonora do filme
🎬além do próprio filme, recomendo acompanhar os canais da Isabela Boscov e do Dalenogare para se inteirar das premiações
🌿e uma simpatiazinha pra gente ganhar com a diva suprema, Tânia Maria






O tapa na cara mais necessário que eu precisava ouvir hoje e vou precisar repetir por muito tempo! Obrigada <3
precisava ler isso hoje. sou mulher feita, mesmo. obrigada, Yna!